segunda-feira, 27 de agosto de 2012

100% - 0%



           Bom pessoal, esse é meu primeiro texto, minha vontade era fazer sobre outros temas, mas o André os acabou abordando, e, mais para frente, tratarei de alguns assuntos que ele não se aprofundou tanto. Neste texto, me basearei principalmente na passagem onde Paulo, se dirigindo à Igreja em Éfeso, exorta o povo quantos aos seus deveres conjugais (Ef 5:22 em diante, ênfase no trecho do versículo 25 em diante), e tratarei como “pré-requisito” os inúmeros trechos da bíblia que falam sobre amar ao próximo.

            O tema principal deste meu primeiro contato é o amor. Senti a responsabilidade de tratar sobre este assunto desde que vi certa vez um dos vídeos do Paul Washer, o qual ele prega em um casamento. Ao final da palavra eu pensei: “a essência do que ele falou não se aplica apenas ao âmbito do casamento, mas é perfeitamente aplicável a qualquer relacionamento”. Paul Washer tratou sobre a incondicionalidade que o nosso amor tem que ter, no caso, em um casamento. Refletindo um pouco percebi o quanto sou falho nisso, e o quanto preciso constantemente da Graça de Deus para me ajudar a cumprir o objetivo de poder amar incondicionalmente o nosso próximo.

            Paulo exorta aos maridos a fim de que amem suas esposas assim como Cristo ama a sua Igreja, dando Sua própria vida por ela, a fim de que a mesma fosse santificada e purificada, sem mácula, sem ruga, santa e irrepreensível. Da mesma forma, deveriam os maridos amar suas esposas, como se amassem a si mesmos, pois ninguém odeia a sua própria carne, antes a alimenta e a sustenta, assim como o Senhor faz com sua Igreja (Ef 5:25-29). A questão é: tudo isso é a forma com a qual se deve amar a todos, pois tudo isso é basicamente um destrinchamento do mandamento de amar o próximo como a si mesmo. “Mas João, eu não sou uma só carne com meu próximo”. Sim, meu caro, porém você é um só corpo com ele. “Mas meu próximo não é da Igreja”. Tudo bem, mas você deverá amá-lo como “estrangeiro no seu meio”, como Deus ordenara ao povo no AT, e como seu amigo, pois todos temos amigos não-crentes, e Jesus esclarece bem o amor que ninguém tem maior: o de dar a própria vida pelos seus amigos (Jo 15:13). Assim sendo, devemos amar a todos de forma igual e incondicionalmente. Pois de tal forma, assim como Cristo purifica e santifica sua Igreja com Seu amor, da mesma forma o marido, por ser o cabeça e sacerdote do lar, santifica e purifica sua esposa, igualmente devemos amar o nosso próximo para tal finalidade, pois com o nosso ato de amar, somos capazes de conduzir nosso próximo a uma busca por santificação, sendo assim abençoamos a vida dele com o nosso amor.

            “E a incondicionalidade, como funciona?” Bem, pode até parecer engraçado, ou óbvio, mas ela funciona quando você elimina toda e qualquer condição estabelecida para você amar a outra pessoa. É óbvio, né? E é tão óbvio que quase todo mundo não percebe isso. Paul Washer faz, em seu vídeo, uma ilustração que eu achei muito interessante e que irá esclarecer melhor o título deste post. Antigamente, as pessoas diziam que você tinha que encontrar a sua outra metade, alguém que te completasse, se dizendo assim que o amor deveria ser 50% - 50%, onde o amor de um era complementado pelo amor do outro, o que um fazia complementava o que o outro fazia e ambos seriam felizes. Ou seja, eu faço o que cabe a mim, e você o que caberia a si. Porém, depois as pessoas disseram: “não, isso está errado, cada tem que dar o melhor de si mesmo, cada um tem que ser completo em si mesmo e ambos são os responsáveis por tudo”, sendo assim, um amor 100% - 100%, onde cada um tem a obrigação de dar o seu melhor em prol do relacionamento de tal forma que, eu tenho que dar o meu melhor pra você, e, da mesma forma, você tem que dar o seu melhor pra mim. E qual seria o erro de cada um? O erro da primeira forma de amor é até que simples, pois realmente você não tem que depender de ninguém para ser completo, e se cada um se prezar em fazer somente aquilo que está ao seu alcance, na sua zona de conforto, teremos um bom exemplo de um relacionamento baseado no eu, e não no outro, um relacionamento puramente egoísta, onde nenhuma das partes realmente se entrega, se doa, à outra. O erro da segunda forma, num primeiro instante, foi mais complicado de perceber. Agora você deve estar se perguntando sobre o que há de errado sobre o amor 100% - 100%, isso se você não percebeu que eu o descrevi de uma forma que evidenciasse melhor o erro. Novamente temos uma forma de egoísmo, e esta é mais complicada de se perceber em si mesmo e mais difícil ainda é corrigir e eliminar. O problema do amor 100% - 100% está, justamente, na idéia de exigência, de querer algo em troca, que fere totalmente o princípio da incondicionalidade. Eu dou o melhor para você, mas você TEM QUE dar o seu melhor pra mim; eu dou o meu melhor para você, esperando que você dê o seu melhor pra mim; eu dou o melhor para você, a fim de que você dê o seu melhor para mim; ou ainda, o que chamo de condicionalidade inversa: eu tenho que dar o melhor para você, porque você está dando o seu melhor para mim. Não há beleza nisso, é triste, é doentio, é extremamente frágil e delicado. A partir do momento em que um dos lados deixa de cumprir a sua “obrigação”, o sistema, no caso, o relacionamento, desmorona e cai num ciclo vicioso auto-destrutivo: “já que você deixou de dar o seu melhor para mim, então eu também não darei mais o meu melhor a você”.

            Como ilustrar, então, um amor incondicional? Com 100% - 0%. Você é o único responsável pelo seu relacionamento, seja lá qual for, desde coleguismo, até casamento e relação de pais e filhos. Você deve fazer o seu melhor por esse relacionamento, sem esperar nada em troca, você deve agir sem esperar uma resposta positiva do outro, ou sequer esperar uma resposta. Você deve fazer o melhor pela outra pessoa justamente porque você a ama e quer o melhor para ela, e não o melhor para si. Onde está o diferencial em amar uma pessoa a fim de se auto-beneficiar? Amar incondiconalmente é, de fato, não colocar condições para você amar seu próximo, como: “só irei amá-lo se ele me pedir perdão”, “só irei amar meu pai se ele me deixar sair”, “só irei amar meu marido se ele me elogiar”. É também, não colocar condições no amor do outro (condicionalidade inversa): “preciso fazer isso para Fulano me aceitar”, “preciso ceder aqui para não brigar ali”. Geralmente a condicionalidade inversa segue a linha de pensamento de fazer um buraco para tampar outro buraco. Não importa quem seja o seu próximo, os seus defeitos, você deve amá-lo de forma incondicional. Olhe para Cristo e Sua Igreja. A Igreja é totalmente falha, cheia de erros e defeitos, e Cristo, que é perfeito, ainda assim a ama, a abençoa e a ajuda em todos os momentos, Ele sempre estará com ela. O relacionamento perfeito parte deste princípio: é 100% você, e 0% o outro, ou seja, por mais que o outro te pise, cuspa em você, faça toda a sorte de maldade, você ainda assim que tem que o amar, e amar a ponto de, se preciso, dar sua própria vida por essa pessoa, pois foi o Cristo fez na cruz. Nós O maltratamos, zombamos e cuspimos Nele, e Ele ainda assim deu a Sua vida por nós. Ele é o exemplo para tudo. Uma forma de ilustrar melhor e diferenciar o amor 100%-0% do 100%-100% está no seguinte exemplo: imagine duas ilhas separadas e você queira ligá-las para que carros passem de uma ilha a outra. O amor 100%-100% é como uma ponte de mão dupla, tanto pra ir como vir, os carros terão de usar a mesma ponte, se esta vier a quebrar, acaba ali a ligação entre as ilhas. Por outro lado, o amor 100%-0%, serão duas pontes, uma independente da outra, uma ponte que vai, e outra ponte que vem. Se uma quebrar, a outra ainda estará em pé. Ou seja, a ponte de mão dupla representa um amor dependente, que só vai se tiver volta. Já as duas pontes não. Um indivíduo tem a sua própria responsabilidade íntima de amar o outro, e o outro tem a sua própria responsabilidade íntima de amar o primeiro, mas sem interdependência, sem exigências. Seria no caso um amor 100%-0%-0%-100%.

Para encerrar, o mais importante: o amar ao próximo de maneira incondicional, se dará somente porque há obediência a Deus e nada mais. O que passar disso é soberba, e, de certa forma, uma auto-condicionalidade para amar, pois a finalidade deste amor será o  justificar ou glorificar de si mesmo. É importante lembrar também de que o ato de amar incondicionalmente é uma ação ativa, ou seja, há um gasto de energia para isso, é preciso se esforçar, e se disciplinar, pois nossa a natureza sempre nos tentará a voltar ao egoísmo.

João Renato

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