Há hora certa para todas as
coisas nessa vida. Meu intuito é mostrar como a vida pode ser tão mais simples
quando nos disciplinamos a deixar a ansiosidade e passamos a compreender melhor
aquilo que chamamos de “tempo de Deus”. Quando passamos a, enquanto cristãos,
viver pela fé, o tempo já não é mais alguma coisa com a qual nos importemos,
simplesmente vamos vivendo nossa vida debaixo da graça e de acordo com a
vontade de Deus. Nesse estudo, peço que vocês tenham abertas (ou em mente) as
passagens de Ec: 3.1-17 e Mt: 6.25-34, há várias outras muito interessantes
também, mas focarei nessas duas.
Primeiro estudando no início do
texto de Eclesiastes (3.1-8), o autor trabalha com uma série de antônimos,
alocando-os no tempo a fim de mostrar que há o tempo certo para todo tipo de
coisa. Dessa forma, temos que ter em mente e a sensibilidade e a sabedoria para
saber, desde as coisas mais pequenas, se aquele é de fato o momento apropriado
para se fazer tal coisa. Semana passada conversando com o Dc. João Carlos,
líder dos jovens e adolescentes da igreja a qual congrego, percebi como muitas
vezes julgamos estar fazendo aquilo que é o correto, e de fato é, mas de
maneira, ou intenção, ou no tempo inapropriado para aquilo. Por exemplo, você
está em uma reunião (da igreja, da repartição, qualquer tipo) e tem alguém
dirigindo essa reunião, esse não será, por sabedoria e sensibilidade, o tempo
mais apropriado para você discutir com algum colega acerca do tema dessa
reunião ou qualquer outra coisa, é uma falta de respeito com o aquele que
dirige a reunião e você pode discutir tal assunto depois e/ou em outro lugar
num outro momento, por que então não deixar para depois e evitar algum
mal-estar? Não que seja pecado fazer isso, mas é sábio deixar de fazê-lo. Porém
é interessante lembrar que muitas das vezes perdemos oportunidades e até mesmo
a chance de sermos abençoados, por deixarmos de fazer alguma coisa quando o
tempo certo chegou, é aquela velha história do cavalo da oportunidade que passa
correndo selado apenas uma vez diante de você, cabe a você decidir se irá pular
nele, ou o deixará passar.
Na seqüência do texto (9-13),
Salomão começa a questionar o esforço do trabalhador e vê o trabalho como algo
que Deus deu, de acordo com a tradução Almeida Contemporânea e Revisada, Nova
Tradução Internacional, para nos afligir e como um fardo, já numa tradução católica, como algo para nos ocupar, cita sobre como é maravilhoso isso que
ele fez, pois deu trabalho, mas também colocou a eternidade em nossos corações
e nós ainda assim não conseguimos compreender o porquê, e encerra dizendo que o
melhor que os trabalhadores têm a fazer é se alegrar e fazer o bem na vida,
comer e beber e aproveitar o bem que seu trabalho lhe dá, chamando isso de dom
de Deus. O autor no fundo quer trazer o seguinte, que não importa ou adianta
nada você se esforçar exaustivamente no trabalho, se você mesmo não buscar
fazer o bem e alguma de se alegrar e se permitir curtir do fruto do seu
trabalho. Trazendo isso para o nosso tema, qual o propósito do trabalho nesse
texto (por isso citei a tradução católica)? Ocupar-nos de alguma forma, e, não
ficarmos ociosos e sem ter alguma coisa para fazer, “mente vazia é oficina do
diabo” e afins. Precisamos nos ocupar e viver nossas vidas, e o desejo da eternidade
é algo que motivaria o homem a trabalhar, pois saberia que chegaria um dia que
poderia descansar desse fardo, e finalmente se ocupar com as coisas que de fato
importam, como um dia estaremos na glória a fim de louvarmos eternamente a Deus
e em Sua presença. Pelo menos para mim, isso me motiva a estar sempre buscando
algo para me ocupar e parar de estar ansioso por alguma coisa, o que importa é
viver a vida debaixo da obediência a Deus.
Na parte final a ser estudada
(14-17), Salomão nos relata a solidez e a imutabilidade da criação de Deus,
fazendo contrapartida com a volatilidade e a corruptibilidade das coisas, e por
fim nos diz que Deus colocará a todos sob o mesmo julgamento, pois há um tempo
certo para todas as coisas. Aqui o autor nos quer levar a ter segurança naquilo
que provém do Senhor a fim de temê-lo e respeitá-lo ainda mais, e não buscarmos
coisas (materiais e imateriais) que não provém do Senhor e que não nos podem
satisfazer e ainda nos levar pecar por conta delas. Temos que ter cuidado
quando estamos atrás de algo, para que possamos buscar isso em Deus, e não
ficarmos ansiosos demais e acabarmos nem aproveitando de fato aquilo que Ele
tem preparado para nossas vidas, e, trocando isso por coisas superficiais que
passam tão rápido quanto vêm. Nossa postura é agora é ter a sensibilidade para
discernir a origem das coisas que vêm até nós. Não digo para se tornar alguém
bitolado e desconfiado de tudo, acredito que alguém que realmente é seguidor de
Cristo, tem o Espírito dentro de si e sabe muito bem discernir naturalmente o
certo do errado, de outra forma, não faria sentido Paulo, em sua primeira carta
à Igreja de Tessalonicenses, nos instruir sobre abster-se da aparência do mal.
E como não ser bitolado e
desconfiado de tudo? Seguindo as instruções de Jesus no sermão do monte (Mt. 7:25-34).
É um texto muito curioso, onde Jesus faz uma longa introdução (25-31),
desenvolve Seu raciocínio e traz sua mensagem de forma objetiva (32 e 33),
finalmente concluindo Sua idéia no último versículo. A introdução basicamente
situa os ouvintes acerca do problema a ser tratado, a saber, a ansiosidade. Jesus
cita como exemplo a ansiosidade sobre necessidades básicas, levando o ouvinte a
uma reflexão do valor que este possui perante Deus quando comparado a outros
seres, e ainda nos revela o quão ridícula e absurda é ansiosidade no versículo
27. Alcançado esse objetivo, Jesus prossegue mostrando que não há o porquê de
andarmos ansiosos e preocupados com essas coisas, quem se preocupa com isso são
os gentios, são eles que levam uma vida em busca de coisas, já nós, que
seguimos a Cristo, devemos ter em mente e confiar que Deus já sabe do que nós
precisamos ou queremos. Nós, enquanto cristãos, devemos ter uma única preocupação,
na verdade uma única ocupação, que é simplesmente buscar o Reino e a justiça de
Deus, e o mais Ele fará. Ao concluir o assunto, Jesus nos mostra como tudo
funciona no Reino, onde se vive um dia de cada vez, mas agora, não andar
ansioso pelo dia de amanhã não significa viver inconsequentemente sem
planejamento, mas significa confiar que se algo não sair conforme o planejado,
foi porque Aquele que já escreveu toda a sua vida tem algo de diferente para
você, Deus já se preocupou com o dia de amanhã.
Portanto meus queridos e minhas
queridas, primeiro: saiba que há um tempo certo para tudo debaixo dos céus,
busque sabedoria para discernir os momentos e adquira um bom “timing”. Segundo:
ocupe-se, trabalhe, desfrute de seu trabalho, viva, se permita ser feliz, e
faça o bem, tudo isso é um presente que Deus te deu para não ficar à toa e
começar a confabular coisas em sua cabecinha. Terceiro: seja o que for buscar,
busque em Deus, uma busca fora Dele não passa de uma verdadeira perda de tempo
e crescimento, busque sabedoria para discernir o certo do errado. E por fim: não
seja bitolado, viva uma vida ocupada com as coisas do alto, e as demais coisas,
serão (não necessariamente, isso fica para o próximo assunto) acrescentadas,
acontecerão (sobre)naturalmente. João como que eu consigo fazer isso tudo? Você
tem o manual perfeito para aprender a fazer todas essas coisas, você, assim
como eu, precisa desenvolver uma relação de amizade com a Bíblia, pois é por
meio dela que Deus falará ao seu coração, discipline-se. Uma vida com Cristo
pode ter mais lutas, mas é mais simples do que parece, você só precisa deixar
Ele levar o seu fardo.
João Renato
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