quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Relacionamentos amorosos: uma análise à luz da Escritura - II, O Casamento - Parte 1: Definição



Bem, chegamos à parte mais central da série, pelo qual as seguintes postagens dependerão de alguns dos princípios aqui expostos. Hoje, falaremos sobre Casamento. Entretanto, vamos por partes: conceituação do que é Casamento, e suas implicações.

Vemos no texto anterior que o Casamento é o meio pelo qual se glorifica a Deus na área de relacionamentos conjugais. Todos os outros relacionamentos, como Noivado e Namoro (“ficar” aqui sai por razão óbvia. Se discordarem, o último texto da série tratará bem disso), necessitam de tê-lo como objetivo, e andar retamente para que aconteça. O Casamento, em si, é análogo ao relacionamento de Deus e Seu Povo, que acontece mesmo antes da fundação do mundo, como visto anteriormente.

Não é de se estranhar que no Antigo Testamento, várias vezes, trata o Seu Povo numa figura de mulher, de noiva (Ez 16.3-35; Jr 2.32; Is 49.18); o próprio livro de Cântico dos Cânticos é exemplo mor disso: sempre foi lido como uma forma alegórica do relacionamento de Deus e Seu Povo. E não só isso: quando o Povo de Deus pecava, quando Israel adorava outros deuses, feitos de pedra e madeira, os profetas falavam como se fosse um adultério, não poucas vezes, como prostituição (Ez 16.3-35; Os 2.1-23; Ez 23.37; Jr 3.8,9). Entretanto, no Novo Testamento há um relato interessante: ao invés de caracterizar o relacionamento de Deus e Seu Povo como um relacionamento de casamento, ele vai dar diretrizes divinas para o casamento POR CAUSA do relacionamento de Deus e Seu Povo, no caso específico aqui, de Cristo e a Igreja. Vamos ao texto por completo:

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.

Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,  para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo.

 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.” Efésios 5.22-33 (ARA)

Nesta passagem magnífica tem uma diretriz principal, e definições importantíssimas que passam despercebidas. Curiosamente, começaremos pelo final:

1. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.

Aqui reside o primeiro princípio do Casamento. O homem e a mulher, pelo pacto e aliança do Casamento, se tornarão um só, assim como Cristo, por pacto e a aliança, se torna um só Corpo com Sua Noiva (1 Co 10.17; 1 Co 12.12,27). Assim como somos co-participantes da natureza divina (2 Pe 1.4), por nossa união com Cristo, no selo do Espírito (2 Co 1.22), o homem e a mulher se tornam um só, uma diversidade dentro de uma unidade; cada um com um papel específico para funcionalidade específica. O homem tem por funcionalidade divina e criacional a liderança (1 Co 11.3; Ef 5.23) e a mulher, a de auxílio (Gn 2.18; 1 Tm 2.12-15). E isso se dá na prática segundo o que o resto da passagem ensinará, como se vê a seguir.

2. As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.

Aqui está tão terrível e polêmica “submissão feminina”, na qual feministas e simpatizantes, até mesmo dentro do meio cristão, se alvoroçam e repudiam a bel prazer. Entretanto, a não ser que queiram rasgar a Revelação Divina, e seguir seus próprios conselhos ao invés de Deus, mais atenção tem que ser dada aqui. Nesta Santa Analogia de Deus e o homem, Cristo se mantém como cabeça da Igreja, Seu Corpo, lhe dá direção e entendimento, e o Corpo obedece; no Casamento, a esposa deve ser submissa ao marido, seguindo-o, crendo que Deus o pôs como líder da casa, e que o orientará, se verdadeiro servo de Deus for. Isso não quer dizer obediência cega, antes, amor servil, amor que auxilia e dá forças ao marido, como foi designado desde a Criação (Gn 2.18).

O pensamento atual despreza a ideia de servidão, relegando-o como papel inferior ao de liderança, e aí reside todo o mal desta questão. A Escritura traz a servidão como coisa maravilhosa, símbolo e expressão magnífica de amor pelo próximo, sendo o próprio Jesus o maior exemplo, que, sendo Deus, o Ser Absoluto, Majestoso e Perfeito, se humilhou, tomando forma de homem, forma de servo, e morrendo uma morte horrenda, por Seu Povo, feito de seres humanos, pequenos, finitos e pecaminosos, ainda assim, alvo de Seu Infinito Amor (Filipenses 2.2-11). Um exemplo, enquanto na terra, de servidão de Jesus está relatado no Evangelho de João, no capítulo 13. Ele lava os pés dos discípulos, sendo o lavar pés coisa dada como inferior, coisa de escravos para se fazer; ele , o Messias, se reduzindo pelos discípulos, ao ponto que diz: “Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (Jo 13:13-17)

Bem-aventurado é aquele que serve, sendo servidão princípio de amor. Porque então esbravejam feministas e afins porque a mulher foi designada para tão grande e focalizado papel no relacionamento com seu marido? Bem, pelo que se vê, não é por motivos bíblicos. Liderança e servidão são elementos complementares dessa união, nunca hierarquizados no Casamento. E é essa que veremos na última parte.

3. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,  para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo.

É designado ao esposo amar sua esposa, como Cristo amou a igreja, e quão sério isso deve ser levado por nós, homens, casados ou desejosos de casar um dia. Paulo aqui faz uma comparação do entregar de Cristo por nós, para que fôssemos salvos, purificados para a vida eterna, com o mandamento divino dado sobre o homem de cuidar e se entregar para sua esposa.  Assim como a Igreja é o Corpo de Cristo, o cabeça da Igreja, este, por sua vez, se entrega para que eleve sua Noiva como pura e imaculada, o homem tem por extensão do próprio corpo a mulher, pois são um só, e, amando-a, ama a si mesmo. Ao homem é dado o mandato divino de amar sua esposa em cuidado e carinho, dedicação e liderança, pois lhe é cabeça. Como disse antes, é heresia moderna considerar servidão algo inferior do que liderança. Cristo, em amor, dá direcionamento para a Igreja, que O serve e o ama, esforçando-se para glorificá-Lo nessa união; o homem, direcionado por Deus, em amor, dá por sua vez direcionamento e cuidado à esposa, que o serve e o ama, esforçando-se para glorificar a Deus nessa união, refletindo a servidão da Igreja pelo Senhor.

Enfim, em Efésios vimos então que o Casamento, assim como a União de Deus e Seu Povo, é, resumidamente:

1.       Um pacto, uma aliança. Os dois lados se unem com um fim específico, glorificar a Deus; com benefícios e responsabilidades mútuas;
2.       É uma união. Nesta união os dois lados são identificados como extensão um do outro, assim como a Igreja é de Cristo;
3.       Existem responsabilidades divinas. Uma diversidade dentro da unidade, o homem lidera e a mulher serve; ambos se amam e fortalecem o pacto que reflete e glorifica a Deus.

Acabada essa primeira parte, não seguiremos para o Noivado, como havíamos planejado antes. Dada a necessidade de escrever mais sobre o assunto do Casamento, continuaremos a escrever sobre o Matrimônio, agora em tópicos dignos de discussão sobre o assunto, a saber, o Casamento com descrentes, o sexo pré-marital e o divórcio. Creio que cada um desses assuntos gerará uma postagem própria, e depois seguiremos com o Noivado e os outros assuntos previamente propostos.

Que Deus nos abençoe,

Marcel Cintra

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