Bem, chegamos à parte mais central da série, pelo qual as
seguintes postagens dependerão de alguns dos princípios aqui expostos. Hoje,
falaremos sobre Casamento. Entretanto, vamos por partes: conceituação do que é
Casamento, e suas implicações.
Vemos no texto anterior que o Casamento é o meio pelo qual
se glorifica a Deus na área de relacionamentos conjugais. Todos os outros
relacionamentos, como Noivado e Namoro (“ficar” aqui sai por razão óbvia. Se
discordarem, o último texto da série tratará bem disso), necessitam de tê-lo
como objetivo, e andar retamente para que aconteça. O Casamento, em si, é
análogo ao relacionamento de Deus e Seu Povo, que acontece mesmo antes da
fundação do mundo, como visto anteriormente.
Não é de se estranhar que no Antigo Testamento, várias
vezes, trata o Seu Povo numa figura de mulher, de noiva (Ez 16.3-35;
Jr 2.32; Is 49.18); o próprio livro de Cântico dos Cânticos é exemplo mor
disso: sempre foi lido como uma forma alegórica do relacionamento de Deus e Seu
Povo. E não só isso: quando o Povo de Deus pecava, quando Israel adorava outros
deuses, feitos de pedra e madeira, os profetas falavam como se fosse um
adultério, não poucas vezes, como prostituição (Ez 16.3-35; Os 2.1-23; Ez 23.37;
Jr 3.8,9). Entretanto, no Novo Testamento há um relato interessante: ao invés
de caracterizar o relacionamento de Deus e Seu Povo como um relacionamento de
casamento, ele vai dar diretrizes divinas para o casamento POR CAUSA do
relacionamento de Deus e Seu Povo, no caso específico aqui, de Cristo e a
Igreja. Vamos ao texto por completo:
“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao
Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da
igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está
sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu
marido.
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a
igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a
purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja
gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem
defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo.
Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria
carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque
somos membros do seu corpo.
Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e
se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este
mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Não obstante, vós, cada um de
per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao
marido.” Efésios 5.22-33 (ARA)
Nesta passagem magnífica tem uma diretriz principal, e
definições importantíssimas que passam despercebidas. Curiosamente, começaremos
pelo final:
1. Eis por que deixará o homem a seu pai e
a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é
este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.
Aqui reside o primeiro princípio do Casamento. O homem e a
mulher, pelo pacto e aliança do Casamento, se tornarão um só, assim como
Cristo, por pacto e a aliança, se torna um só Corpo com Sua Noiva (1 Co 10.17;
1 Co 12.12,27). Assim como somos co-participantes da natureza divina (2 Pe 1.4),
por nossa união com Cristo, no selo do Espírito (2 Co 1.22), o homem e a mulher
se tornam um só, uma diversidade dentro de uma unidade; cada um com um papel
específico para funcionalidade específica. O homem tem por funcionalidade
divina e criacional a liderança (1 Co 11.3; Ef 5.23) e a mulher, a de auxílio (Gn
2.18; 1 Tm 2.12-15). E isso se dá na prática segundo o que o resto da passagem
ensinará, como se vê a seguir.
2. As mulheres sejam submissas ao seu
próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como
também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como,
porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo
submissas ao seu marido.
Aqui está tão terrível e polêmica “submissão feminina”, na
qual feministas e simpatizantes, até mesmo dentro do meio cristão, se alvoroçam
e repudiam a bel prazer. Entretanto, a não ser que queiram rasgar a Revelação
Divina, e seguir seus próprios conselhos ao invés de Deus, mais atenção tem que
ser dada aqui. Nesta Santa Analogia de Deus e o homem, Cristo se mantém como
cabeça da Igreja, Seu Corpo, lhe dá direção e entendimento, e o Corpo obedece;
no Casamento, a esposa deve ser submissa ao marido, seguindo-o, crendo que Deus
o pôs como líder da casa, e que o orientará, se verdadeiro servo de Deus for.
Isso não quer dizer obediência cega, antes, amor servil, amor que auxilia e dá
forças ao marido, como foi designado desde a Criação (Gn 2.18).
O pensamento atual despreza a ideia de servidão,
relegando-o como papel inferior ao de liderança, e aí reside todo o mal desta
questão. A Escritura traz a servidão como coisa maravilhosa, símbolo e
expressão magnífica de amor pelo próximo, sendo o próprio Jesus o maior
exemplo, que, sendo Deus, o Ser Absoluto, Majestoso e Perfeito, se humilhou,
tomando forma de homem, forma de servo, e morrendo uma morte horrenda, por Seu
Povo, feito de seres humanos, pequenos, finitos e pecaminosos, ainda assim,
alvo de Seu Infinito Amor (Filipenses 2.2-11). Um exemplo, enquanto na terra, de
servidão de Jesus está relatado no Evangelho de João, no capítulo 13. Ele lava
os pés dos discípulos, sendo o lavar pés coisa dada como inferior, coisa de
escravos para se fazer; ele , o Messias, se reduzindo pelos discípulos, ao
ponto que diz: “Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o
sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis
lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos
fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior
do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se
sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (Jo 13:13-17)
Bem-aventurado é aquele que serve, sendo servidão princípio
de amor. Porque então esbravejam feministas e afins porque a mulher foi
designada para tão grande e focalizado papel no relacionamento com seu marido?
Bem, pelo que se vê, não é por motivos bíblicos. Liderança e servidão são
elementos complementares dessa união, nunca hierarquizados no Casamento. E é
essa que veremos na última parte.
3. Maridos, amai vossa mulher, como também
Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse,
tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para
a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua
mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque
ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como
também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo.
É designado ao esposo amar sua esposa, como Cristo amou a
igreja, e quão sério isso deve ser levado por nós, homens, casados ou desejosos
de casar um dia. Paulo aqui faz uma comparação do entregar de Cristo por nós,
para que fôssemos salvos, purificados para a vida eterna, com o mandamento
divino dado sobre o homem de cuidar e se entregar para sua esposa. Assim como a Igreja é o Corpo de Cristo, o
cabeça da Igreja, este, por sua vez, se entrega para que eleve sua Noiva como
pura e imaculada, o homem tem por extensão do próprio corpo a mulher, pois são
um só, e, amando-a, ama a si mesmo. Ao homem é dado o mandato divino de amar
sua esposa em cuidado e carinho, dedicação e liderança, pois lhe é cabeça. Como
disse antes, é heresia moderna considerar servidão algo inferior do que
liderança. Cristo, em amor, dá direcionamento para a Igreja, que O serve e o
ama, esforçando-se para glorificá-Lo nessa união; o homem, direcionado por
Deus, em amor, dá por sua vez direcionamento e cuidado à esposa, que o serve e
o ama, esforçando-se para glorificar a Deus nessa união, refletindo a servidão
da Igreja pelo Senhor.
Enfim, em Efésios vimos então que o Casamento, assim como a
União de Deus e Seu Povo, é, resumidamente:
1.
Um pacto, uma aliança. Os dois lados se unem com
um fim específico, glorificar a Deus; com benefícios e responsabilidades
mútuas;
2.
É uma união. Nesta união os dois lados são
identificados como extensão um do outro, assim como a Igreja é de Cristo;
3.
Existem responsabilidades divinas. Uma
diversidade dentro da unidade, o homem lidera e a mulher serve; ambos se amam e
fortalecem o pacto que reflete e glorifica a Deus.
Acabada essa primeira parte, não seguiremos para o Noivado,
como havíamos planejado antes. Dada a necessidade de escrever mais sobre o
assunto do Casamento, continuaremos a escrever sobre o Matrimônio, agora em
tópicos dignos de discussão sobre o assunto, a saber, o Casamento com descrentes,
o sexo pré-marital e o divórcio. Creio que cada um desses assuntos gerará uma
postagem própria, e depois seguiremos com o Noivado e os outros assuntos
previamente propostos.
Que Deus nos abençoe,
Marcel Cintra

Nenhum comentário:
Postar um comentário