domingo, 13 de outubro de 2013

Ordenação feminina: uma heresia tolerada



          Acredito que há poucos sintomas do mundanismo do século XX que subjugaram a Igreja com tanto sucesso quanto o feminismo. É raro encontrar igrejas atualmente que ainda mantêm o ensino bíblico de que somente homens podem ser líderes e mestres no culto público. Interessantemente, o feminismo teve pouco sucesso no que diz respeito à liderança do homem no casamento, mas muito no que é relativo ao governo masculino na Igreja. Neste post, veremos o que a Bíblia diz sobre as permissões e proibições da mulher e as falácias que os crentes feministas usam para justificar seus desvios.

            1Coríntios e as cartas pastorais são livros normativos importantíssimos quando pretendemos saber como cultuar Deus no culto público oficial da Igreja. 1Coríntios é uma das primeiras epístolas (antecedida apenas por Gálatas e as duas aos tessalonicenses), e normatiza diversas das disposições típicas da era apostólica, como dons miraculosos. Já as cartas pastorais foram escritas no fim da vida de Paulo, quando ele procurou ensinar a Igreja sobre como o culto e a vida eclesiástica deveriam ser conduzidos após a liderança dos apóstolos. Deve saltar aos olhos que, em ambas, Paulo proíbe que as mulheres liderem ou ensinem homens, o que já deveria ser argumento suficiente para rechaçar as alegações de que esses dogmas eram transitórios. E, em ambas, o mesmo apóstolo diz também o que as mulheres podem e devem fazer. Vejamos, pois, as normas.

            Em 1Coríntios 11 e 14, estão as notas sobre as mulheres. Na primeira referência, os versículos 3 a 16 falam sobre a submissão feminina ao governo masculino; na segunda, os versículos 33 a 35 falam sobre a submissão ao ensino dos homens. Veja a referência em 11:3: o cabeça do homem é Cristo e o cabeça da mulher é o homem. Nenhum verdadeiro cristão diria que a liderança de Cristo sobre o homem é transitória ou cultural. O mesmo pode ser dito do versículo 7: o homem é a imagem e glória de Deus, e isso é um estatuto perpétuo e espiritual; logo, a disposição seguinte de que a mulher é a glória do homem também deve ser. Argumentar o contrário é arbitrar sobre o contexto das Escrituras. Paulo baseia sua ordem sobre a submissão feminina ao homem não em qualquer disposição cultural de sua época, mas na ordem da pura criação de Deus antes da queda: é o que dizem os versículos 8 e 9. E Paulo diz: “por essa razão e por causa dos anjos, as mulheres devem ter sobre a cabeça um sinal de autoridade”. Assim, ele estabelece esta relação de causalidade ou base: a mulher deve ser submissa ao homem em matéria eclesiástica por causa das funções atribuídas pelo próprio Deus desde a criação. Tal como os estatutos da criação são absolutos, também são essas ordens.

            Segundo ainda o capítulo 11, o que a mulher pode então fazer no culto público? O versículo 5 diz que ela pode orar e profetizar. Isso é importante para o entendimento da referência em 14:33-35, que diz que as mulheres não podem falar na Igreja. A ordem sobre o não falar não deve ser um silêncio absoluto, pois o mesmo apóstolo dissera anteriormente que elas podem orar e profetizar (obs: “profetizar”, aqui, significa o dom sobrenatural de revelação, não a pregação da Palavra, como em outros textos bíblicos; conferir Atos 21:9). Se a proibição em 14:33-35 não abarca a oração e a profecia, o que então está proscrito? O contexto do capítulo 14, que fala sobre a ordem e a sobriedade no culto, indica que as mulheres não devem falar de forma a atentar contra essas coisas; por exemplo, intrometendo-se nas profecias dos homens, de forma subversiva. Também ali, Paulo diz “permaneçam em submissão, como diz a Lei”. Duas coisas podem ser aprendidas dessa expressão: que a ordem tem, mais uma vez, fundamento na Lei de Deus, e não na cultura dos coríntios, e que a submissão está posta em oposição ao “falar”. Logo, deduz-se que essa fala proibida é de natureza rebelde contra a autoridade masculina. E é exatamente essa a transgressão das pregadoras e pastoras: a fala delas no culto público ignora totalmente a submissão ao homem. Pois não é apenas na administração da Igreja (regência) que existe liderança, mas também na pregação (docência): quando uma mulher prega a Palavra de Deus aos homens no culto público, ela está exercendo a autoridade da Palavra sobre aquilo em que se deve crer e a que se deve obedecer. Assim, ela transgride a ordem da criação divina: que é o homem que deve liderar a mulher.

            Em 1Timóteo 2, Paulo dá mais ensinos sobre a adoração no culto público. Os últimos versículos reforçam o que foi dito sobre 1Coríntios: a mulher deve aprender do homem, jamais ensiná-lo. E a base para essa ordem é, de novo, a criação: que Eva foi enganada pela serpente e então enganou Adão. Mais em seguida, no capítulo 3, Paulo fala sobre os oficiais da Igreja: todos homens. Só mais uma referência: em Atos 1, quando Pedro conclama os presentes para a escolha do apóstolo substituto de Judas, ele determina vários critérios, dentre os quais: ser homem. “É necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco...”. O termo aqui não é o anthropos, o ser da espécie humana, mas sim o andros, o homem, masculino, XY. Essas referências devem bastar para chancelar o ensino que a Igreja segue desde a sua fundação, e que, somente nos dias de hoje, após a revolução feminista, tem sido perversamente combatido: não existem pastoras, mestras, professoras (a não ser de crianças), líderes, convidadas especiais para pregar, etc. A mulher não pode ensinar autoritativamente o homem no contexto eclesiástico, nem deve administrar a Igreja. A liderança foi dada aos homens.

            Por outro lado, temos diversas tarefas que são dadas às mulheres na Igreja. Já vimos que orar e profetizar são permitidas por Paulo. Outras, por exemplo, são: dedicar-se à criação de filhos piedosos (1Tm 2:15); oferecer hospitalidade, “lavar os pés dos santos” e socorrer os atribulados (1Tm 5:10), ensinar as mulheres mais jovens a serem piedosas (2Tm 2:3-5), pregar o evangelho a descrentes fora do contexto de culto (Jo 4:28-30), ser missionária em suporte ao marido (At 18:26). Além disso, elas podem participar das atividades de culto em que não se faz distinção entre homens e mulheres, como cantar (Cl 3:16), exortar-se mutuamente e participar dos sacramentos. É um grande erro que as mulheres hoje almejem participar de ministérios exclusivamente masculinos – liderar e ensinar homens – e deem pouca importância a todos esses outros serviços. Até mesmo liderar e ensinar outras mulheres é permitido, mas isso parece não ser suficiente para os apetites errantes das feministas crentes.

            Agora, vamos aos argumentos mundanos. Em primeiro lugar, existe um pressuposto mundano muito comum e generalizado de que submissão é algo humilhante e liderança é algo positivo. Mulheres modernas têm horror à palavra submissão. Porém, Jesus subverte completamente esse pressuposto quando diz: “os reis da terra governam a terra e exercem poder sobre ela. Não será assim, porém, entre vós. Ao contrário, quem quiser ser o primeiro deverá ser o último, e quem quiser ser grande deverá ser o escravo de todos. Pois nem o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20:25-28; Mc 10:42-45). Veja que maravilhoso: o Filho de Deus, Rei e Criador, voluntariamente decidiu servir à humanidade que criou. E é com base em sua obra e exemplo que devem os cristãos agirem uns com os outros (Ef 5:21). Lembrem também de João 13 e a história do lavar os pés. Biblicamente, submissão é algo honroso e muitíssimo agradável a Deus. Quem vê com desdém um papel de submissão está falando contra a própria obra do Senhor Jesus, e assemelha-se aos mesmos governantes e reis sobre os quais Jesus disse: não será assim entre vós.

           Submissão não é sinônimo de inferioridade, nunca. Jesus Cristo serviu a humanidade, e nisso provou-se superior a todos os homens, único digno de ser aceito por Deus como sacrifício. E, de forma alguma, a Bíblia atribui inferioridade à mulher. Pois as referências supracitadas dizem que o homem e a mulher são interdependentes. A mulher veio da costela do homem, mas o homem nasce da mulher, e ambos são criados por Deus (1Co 11:11, 12). A única vez em que a Bíblia atribui fraqueza à mulher é para a proteção dela pelo marido (1Pe 3:7). Pressupor inferioridade a partir da submissão é um argumento mundano, não canônico. Para Deus, o homem e a mulher são iguais em valor e favor; diferem apenas na função.

            Os defensores da ordenação feminina dizem que as proibições bíblicas são argumentos culturais. Ou seja: porque na época de Paulo as mulheres eram oprimidas pelos homens, ele ordenou que elas não fossem líderes na Igreja, para não escandalizar os convertidos. Ou então algumas variantes: que as mulheres na época eram analfabetas e, por isso, não tinham capacidade para ensinar, ou que o apóstolo estava apenas tentando corrigir um problema local de indisciplina. Essas explicações são meras especulações insustentáveis por dois motivos: primeiro, porque Paulo fundamenta suas proibições na ordem da criação de Deus, e não nas circunstâncias locais, como já foi demonstrado; segundo, porque Paulo não está de forma alguma sendo conivente com a cultura. Pelo contrário, ele está sendo contracultural. Nas religiões gregas e romanas, as mulheres eram frequentemente sacerdotisas, dirigentes de cultos pagãos. Paulo diz: não pode ser assim na Igreja. (Inclusive, a controvérsia toda sobre o uso do véu e do cabelo em 1Co 11 tem a ver com a identificação com tais sacerdotisas prostitutas, o que as mulheres cristãs devem rejeitar: logo, também contracultural). Não há razão alguma para pensar que Paulo estava apenas sendo bonzinho com a sociedade, ou ajustando a Igreja para as limitações da época. Ele estava sendo desafiador. E, aparentemente, continua sendo hoje. As sacerdotisas prostitutas pagãs de Corinto e Éfeso se foram, mas as feministas vieram substituí-las.

            E quanto às mulheres líderes na Bíblia? Simples: todas elas foram líderes civis, nunca de Igreja. Ester foi rainha, Débora foi juíza. Líderes políticas, não espirituais. Vale notar que a própria Débora era “machista”: pois ela apenas tomou o lugar de juíza porque o fraco Baraque não quis assumir o seu papel masculino, e ela admitiu que isso era uma desonra para ele. Se as feministas realmente querem seguir o exemplo de Débora, devem dizer aos homens o que ela disse: sejam homens! O que ocorre em muitas igrejas modernas é que os homens não estão cônscios de seus papéis masculinos. São preguiçosos e lentos. A lacuna é preenchida pelas mulheres, que tendem a ser mais prestativas. A culpa é dos dois gêneros: das mulheres, por usurparem a função dos homens; dos homens, por permitirem isso, recusando-se indolentemente a tomar seus postos. Ester e Débora não são desculpa para essa usurpação. O exemplo delas, que é aprovado por Deus, apenas ilustra que as mulheres podem ser líderes na esfera civil: gerentes, diretoras, presidentes. Na esfera eclesiástica, isso é errado.
           
A ordenação feminina é uma distorção da própria natureza do pacto de Deus com a sua Igreja. Sabemos que, no casamento, a mulher é submissa ao homem, assim como a Igreja é submissa a Cristo. A mesma analogia é usada por Paulo em 1Coríntios 11:3 ao dizer que, como Cristo é o líder dos homens, o homem é o líder da mulher. Ambas as relações – matrimoniais e eclesiásticas – derivam suas estruturas da aliança entre Deus e o seu povo. Quando uma Igreja permite que mulheres governem sobre homens, seja por decisões administrativas, seja pela pregação da Palavra, ela peca contra as propriedades do pacto de Deus. É tão absurdo quanto a esposa mandar no marido, quanto a Igreja mandar em Jesus. O movimento feminista na esfera civil tem algo a contribuir. Nas esferas matrimoniais e eclesiásticas, não há nada. Que o homem não deve oprimir a mulher, isso já é dito na Bíblia, não é nenhuma novidade trazida por mundanos do século XX. O resto é lixo satânico. A Igreja deve seguir as ordens bíblicas colocadas pelos apóstolos e profetas há 2000 anos, e é ridículo pensar que um movimento de 50 anos veio finalmente levar o povo de Deus à interpretação correta da Bíblia.
           
O que fazer, então? As mulheres devem abandonar suas atividades masculinas e dedicar-se às femininas. E os homens devem tomar posse de suas atividades de liderança e ensino. Para que o propósito de Cristo em purificar a sua Igreja e fazê-la conforme a sua imagem seja cumprido, é necessário que a Igreja se arrependa de sua simpatia pelo feminismo eclesiástico e torne à submissão à Palavra de Deus, imutável, infalível e suficiente.


            André Duarte

3 comentários:

  1. É uma hipocrisia dizer que impor um ser a sempre viver numa posição de subalternidade e não liderança não consiste em inferioridade. Se impeço alguém de ser pastor ou pastor apenas pela cor da pele ou pelo sexo, estou sendo preconceituoso, e no caso da mulher um machismo hediondo. Por isso as mulheres não aceitam e cada vez mais teremos mulheres pastoras.

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    1. Bem, moça, o ponto é muito simples: ou você crê no que a Bíblia diz sobre machismo, liderança e inferioridade, ou crê no que as feministas do secúlo passado dizem. Ao chamar de hipocrisia, preconceito e machismo hediondo o que a Bíblia manda, você responderá por isso diante do Santo Juiz. Considero sua resposta não uma opinião teológica, visto que você não usou um único argumento bíblico, mas uma rebelião contra o reinado de Cristo baseada simplesmente no que o seu coração naturalmente depravado pensa. Esperneie o quanto quiser; a Palavra de Deus triunfará.

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    2. A palavra de Deus diz que não há judeu ou grego, escravo ou livre, HOMEM ou MULHER todos somos iguais diante de Deus. Outra coisa quem foram as primeiras a ver o Senhor Ressuscitado, as mulheres, os homens estavam trancafiados com medo, e elas na madrugada foram ao encontro do Senhor. Quem é maioria nas Igrejas, pode contar, quem faz a maioria dos trabalhos, reza ou ora mais, como queiram, mulheres. Por isso, meu filho, esse negócio de homem ser o bam bam e mulher viver embaixo da sola não é nem pouco cristão, veja o amor de Jesus pela mulher pecadora, Marta e Maria, as irmãs de Lázaro. E meu coração não é depravado, não, eu sou mãe, mulher honesta, fiel a Deus e não escrevo em um site misógino como o céu, que fica propagando ódio e rancor contra a figura feminina. No antigo testamento Deus fala que o amor que mais se assemelha ao dele, é o amor materno: "A mãe poderá escolher um filho?" Pois só uma mulher pode sentir esse amor, acho que é por isso que vocês não perdoam as mulheres. Pois eu tenho esse privilégio eu amo com um amor semelhante ao de Deus três presentes maravilhosos que ficaram nove meses em meu ventre, e só uma mulher pode sentir isso, ter um ser dentro dela, se movendo, vivendo do seu sangue, homens jamais saberão o que é isso. Por isso para falar de uma mulher e mãe tenha mais respeito.

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