segunda-feira, 24 de setembro de 2012

E o dízimo foi dizimado com a Lei...



        Resolvi interromper minha série de hinos cristológicos com um post crítico, pra minha série ficar mais dinâmica. Afinal, se seguimos a Verdade encarnada, é necessário tanto expor a verdade como rechaçar a mentira.

        Vamos dar uma olhada mais de perto na falsa doutrina do dízimo. Bem, dizem que esse é um assunto polêmico, mas eu o acho super fácil de resolver. :P Só é polêmico aquilo que não é claro e explícito na Bíblia, como calvinismo (sshh, fui predestinado a dizer isso, não questionem) ou escatologia, mas dízimo é bem simples.

        Uma das maneiras mais fáceis de crer em heresias é ler um termo na Bíblia e interpretá-lo com o seu significado atual. É o que ocorre, por exemplo, com “pastor”, “igreja”, “diácono” e, certamente, “dízimo”. O dízimo é bíblico? Sim. Porém, ser bíblico não é o suficiente para ser regra. Sodoma e Gomorra também são bíblicas. :P E, mesmo sendo bíblico e não regra, poucos conhecem o que é o dízimo bíblico.

        Em primeiro lugar, dízimo é ordenança da Lei mosaica. O dízimo que Abraão deu foi nada mais do que a décima parte dos despojos da guerra que havia travado, e o de Jacó foi sua escolha pessoal. Dízimo, como regra, veio com Moisés. Estranho como que todas as leis cerimoniais de Moisés passaram com Cristo, mas só a do dízimo ainda é obrigatória... aliás, a lei do dízimo é impossível de permanecer, porque ela só faz sentido na organização da sociedade israelita. Vamos às características: em primeiro lugar, quantos dízimos existem? Não um, mas sim três. Existem os 10% da produção anual da terra (porque a terra dá o seu fruto por estação, e não por mês :P), mais 10% para a ocasião das festas religiosas obrigatórias no tabernáculo – Páscoa, Pentecostes e Cabanas – e mais 10% da produção a cada três anos para oferta a órfãos, viúvas e levitas. Alguém hoje dá esse último dízimo? Se alguém gosta do famoso Malaquias 3:10, esse último dízimo está incluso no “traga todo o dízimo”, mas ninguém lembra... Assim, temos um resultante de 23,3% ao ano, em vez dos tradicionais 10%.

        Próxima questão: em que consistia o dízimo? Comida, não dinheiro. O dízimo das festas até podia ser trocado por dinheiro se a casa do homem fosse muito longe do local de culto, mas, chegando no destino, era necessário trocar o dinheiro novamente pelos alimentos. Faz diferença? Claro! Dízimo em alimento dá a ideia do sustento básico para a sobrevivência dos levitas e pobres; se fosse dado em dinheiro, haveria um enriquecimento injustificável e desproporcional contrário à vontade de Deus. A última questão já foi respondida: a quem eram destinados os dízimos? Levitas, órfãos, viúvas, enfim, os pobres, para que não morram de fome. Levitas não tinham herança entre o povo e precisavam das ofertas para sobreviver. Se você acha que os pastores modernos são equiparáveis aos levitas e sacerdotes (como eu já achei um dia), deveria parar de se achar protestante, pois rejeitou a doutrina canônica do sacerdócio de todos os santos. Além disso, usa uma equiparação moderna errada para justificar outra.

        A famosa advertência de Malaquias não é, de forma alguma, mandamento nem promessa para cristãos. O profeta tem em vista, obviamente, o dízimo da Lei. Se você ler o texto inteiro em vez de isolar versículos, verá que a principal preocupação de Deus é a ajuda aos pobres. E, lendo o profeta inteiro, o seu tema recorrente é a crítica à religião sem espírito. Ironicamente, o extrato da ordem do dízimo do profeta e a transposição para a doutrina do dízimo em quase todas as igrejas evangélicas tornou o dízimo um fim em si mesmo (ou investimento para um retorno futuro, quem sabe) e, consequentemente, a tal religião sem espírito que Malaquias condena em suas exortações. Ah, outro detalhe: o devorador que Deus diz repreender em sua promessa é literalmente o gafanhoto que ele enviava contra a colheita dos ímpios – veja o profeta Joel, por exemplo -, e não algum demônio traçador de cédulas. O que você pode aprender com Malaquias nesse texto do dízimo é que Deus quer que os seus fieis não esqueçam dos pobres. (Imagine se você deixasse de pagar seus impostos. Isso seria considerado roubo pelo governo. Essa sim é uma comparação adequada.)

        “Mas Jesus fala pra dar o dízimo também!” Sim, ele diz aos fariseus, judeus guardadores da Lei e inseridos na sociedade israelita que dá sentido ao dízimo que tanto deem o dízimo como pratiquem os princípios fundamentais da Lei. Essa ordem não é pra cristãos darem dízimo em igreja só porque aparece no Novo Testamento. E, tirando essa ordem de Jesus, o dízimo desaparece do Novo Testamento.

        De onde vem, então, esse dízimo que é 10% de um salário mensal dado em dinheiro à instituição eclesiástica? Vem de um decreto de Carlos Magno no século VIII. A primeira menção do dízimo como obrigatório para sustentar o clero foi feita por Cipriano (200-258), mas praticamente ninguém o apoiou. Antes disso, o dízimo eclesiástico nem passava pela cabeça dos cristãos.

        Vamos agora às falácias: dizem que você não está “dando” o dízimo, mas “devolvendo” o dízimo que Deus te deu. Esse argumento não é bíblico, pois as Escrituras sempre usam os verbos “dar” ou “entregar”, nunca “devolver”. Além disso, não passa de um jogo de palavras que em nada altera a prática, o sentimento de obrigatoriedade e a intenção, mas somente apazigua a ideia indesejável de estar sendo extorquido por Deus.

        Outra falácia, que também só serve como apaziguadora de ânimos, é que “Deus te deu tudo isso, e ele só pede 10% de volta”. Bitch, please! Deus é o dono de 100%! “Quem primeiro me deu para que eu o retribua? Tudo o que está debaixo da terra me pertence”, ele disse a Jó. Nunca é 90% pra você e 10% pra Deus, e sim 100% é dele e deve ser usado de acordo com a vontade Dele.

        Acho que a mais absurda que eu já ouvi, e mais de uma vez, é “Bem, não importa que o dízimo seja usado para fins errados pelos administradores. A minha parte é dar o dízimo, a parte de quem vai usá-lo é problema dele com Deus”. Tal pessoa acabou de colocar um adesivo na testa escrito “Sou legalista”. Ela cumpre uma lei que, além de inventada por homens, é um fim em si mesma, independentemente das consequências.

        Qual é, então, o mandamento cristão? É o de 2Coríntios 8 e 9: “Dê cada um conforme sua capacidade, conforme propôs em seu coração, pois Deus ama quem dá com alegria”. Quando Paulo pede que os coríntios deem ofertas para os irmãos em Jerusalém, ele nem mesmo configura esse pedido como mandamento, mas explica-o conforme o evangelho, para que ele seja seguido com o espírito de Cristo. Jesus, sendo infinitamente rico no céu, tornou-se pobre para que nós pudéssemos ser espiritualmente ricos. Com base no exemplo do Mestre é dada a exortação das ofertas.

        Então, é errado dar o dízimo? Depende. Se você propôs em seu coração, voluntariamente, ofertar a quantia de 10%, beleza. Pra Deus, tanto faz se é 1%, 10% ou 100%. (E não, 10% não é o mínimo, como querem alguns legalistas não assumidos.) O importante é que você esteja contribuindo aos pobres e ajudando na expansão do reino. Importa também a condição do seu espírito no ato. Jamais você deve pensar em dar dízimo para ganhar alguma coisa de volta. Não é necessário ir aos exageros gritantes da teologia da prosperidade: se você acha que vai ter estabilidade financeira ou de emprego por dar o dízimo, isso é mentira. Deus retribuirá se ele quiser e como ele quiser. É imprescindível o espírito exclusivamente altruísta ao ofertar. E que o objetivo também seja correto. Ora, entre ofertar pra Igreja comprar um adorno novo ou ofertar para o sustento de um missionário, a prioridade divina é óbvia.

        Não é errado ter tradições. O errado é equiparar tradições a mandamentos divinos. Dar dízimo não é mandamento nem promessa para cristãos, não é teste de fidelidade nossa e muito menos da de Deus. O mandamento é: ame o seu próximo. O resto se deduz.

André Duarte

domingo, 16 de setembro de 2012

Hino cristológico de Filipenses


        Como eu fiz o de Colossenses e há outros hinos cristológicos lindos em outras cartas, resolvi fazer uma série de comentários sobre alguns deles. O de hoje é o que está em Filipenses.

        O que é mais relevante sobre esse hino é que ele não é uma afirmação abstrata sobre uma crença metafísica sobre Cristo, nem uma poesia para ser sentida. É um ensino sobre humildade. O início do hino tem a exortação de Paulo “tenham a atitude humilde de Jesus”. É impressionante como os escritores do Novo Testamento sabiam que toda regra moral deveria ser ensinada tendo como fundamento e fonte o exemplo de Jesus. Não já justiça alguma, nem mandamento algum, nem conselho algum fora de Cristo. Paulo usa o evangelho para ensinar uma regra moral. É isso que todo mestre deveria fazer.

        Portanto, para a sanção da regra de ser humilde, está a apresentação da obra e do ser de Cristo. Ele tinha a forma de Deus, isto é, sua essência e seus atributos eram totalmente divinos e onipotentes. Ele era o logos eterno do Pai, vivendo em perfeita beatitude e soberania. Entretanto, a máxima descrição de sua essência é o amor; como dirá João, “Deus é amor”. Devido ao amor ser o seu supremo atributo, Jesus não se apegou à sua divindade, pois, somente abrindo mão de sua plenitude divina, ele poderia salvar o mundo. Jesus Cristo jamais precisou encarnar para o seu próprio bem; ele já estava completamente cheio de si e autorrealizado como o soberano Deus. No entanto, o seu amor pela humanidade moveu-o a voluntariamente e alegremente abandonar o paraíso e o trono. É uma diminuição infinita e incompreensível essa de Deus tornar-se homem. Mais ainda é a afirmação de um Deus humilde. Porém, essa é a verdade maravilhosa.

        Como se não bastasse a encarnação de Deus em um homem, a humildade foi tão profunda que mesmo o homem foi dos menores dentre os homens. O logos poderia ter encarnado em um rei, mas ele decidiu ser um servo – pois só assim ele poderia reinar de fato. Aquele que era igual a Deus Pai tornou-se um homem sem poderes e prerrogativas, contando somente com a graça do Pai e com suas ordens. Jesus como homem precisou ser completamente obediente à Lei do Pai para salvar os seus semelhantes. E mais, sua obediência e humildade foram as mais difíceis e custosas que se pode imaginar: ele foi completamente submisso até a morte. O autor da vida foi morto. O eterno morreu. E não qualquer morte, mas uma morte de cruz, a mais dolorosa e humilhante de todos os tempos. Foi crucificado como o maior dos criminosos justamente por ter sido a perfeição em justiça e moral. A humildade do Senhor levou-o em todo o infinito caminho entre o mais alto céu e a mais alta vergonha. Você pensa que é difícil ser humilde? Bitch, please, veja a dimensão da humildade do seu Senhor. Por nós mesmos, pela mera pressão moral, jamais chegaremos perto da humildade de Jesus. Mas ele tomou para si essa responsabilidade e deu a nós a vitória para fazermos o mesmo.

        Jesus já era o Deus perfeito. Com a morte na cruz, ele provou ser também o humano perfeito. Como homem, ele cumpriu tudo aquilo, maximizado por milhares, que cabia a nós cumprir. O rigor da moral e da submissão à vontade de Deus foi realizado pelo humano Jesus. E, para todos aqueles que se submetem humildemente à vontade de Deus, existe esperança. Isso inclui o próprio Cristo. Para completar a nossa redenção para a vida eterna, Jesus Cristo foi o primeiro homem a adquiri-la. Sua perfeição foi satisfatória para que Deus o restaurasse à sua posição de rei e Senhor. Ele provou ser perfeitamente capaz de ser um perfeito Deus e um perfeito homem. Deus, assim, colocou em suas mãos o reinado do universo e, especialmente, da humanidade que a ele se submete. Nós, sendo submissos ao senhorio de Cristo, temos também a esperança de reinarmos com ele após suportarmos os louváveis sofrimentos da vida terrena. Mas o papel de rei supremo cabe somente àquele que é digno, Jesus Cristo, o único perfeito, sem pecado nem transgressão. Como recompensa à sua obra, ele foi colocado como o soberano do mundo. E assim ele domina a terra, vencendo o mal, derramando sua ira sobre os rebeldes e sua graça aos que se submetem. Como diz o salmo 110, ele reina à destra do Pai pisoteando os seus inimigos. Sendo o elo perfeito entre Deus e o homem, a divindade e a humanidade, através dele o homem pode glorificar adequadamente o nome do Pai em humildade. Que ele cresça em nós e que nós diminuamos.

André Duarte

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sucesso ou excesso?


http://letras.mus.br/switchfoot/863692/traducao.html


       E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. (Lucas 12:15)


      Bom... primeiro post. A música de hoje (quem não entender vá DIRETO pra minha apresentação) é “American Dream” do Switchfoot. Rock legal com harmonia simples, sem muitas firulas na melodia também. Mas não estamos aqui pra discutir essas partes chatas que só músicos (não coloco “músicos chatos” porque é pleonasmo) ficam discutindo. O bom da música mesmo é a letra, então vamos dissecá-la. Eu sei que a música é em inglês, mas coloquei um link com a tradução também, porque eu sei que tem muita gente preguiçosa por aí. Ô era dos links...

      Só a primeira frase da música já dá pra tirar muita coisa: “Quando sucesso é igualado com excesso”. Engraçado isso, o autor da música escolher essa palavra “excesso”. Quando você vai olhando pro resto da música você percebe claramente que esse “excesso” é, em outras palavras, “riqueza”, “dinheiro”. Ué, mas por que o tiozinho não colocou “riqueza” logo? Só pra rimar né? Talvez. Ou talvez pra fazer você pensar um pouco mais.

      Veja bem, a palavra “riqueza” dá a impressão de alguém magnífico, que anda por aí “like a sir” (sim, você tem o direito de imaginar o meme), e coloca a pessoa que possui a característica de “rico” bem acima de nós. Excesso é uma palavra engraçada. Não significa alguma coisa necessariamente boa. Pode ser excesso de gordura(primeira coisa que as meninas pensaram), excesso de comida, excesso de pêlos (ops...é proibido falar de outros membros do Blog? Bom, já foi). Enfim, fica mais feio né? Excesso é uma palavra feita para dar normalmente a impressão que você tem demais uma coisa que não deveria ter. Essa (pra mim) foi uma grande sacada do tiozinho aí: O que para os outros é riqueza, para nós deveria ser excesso. Esse “deveria” se encaixa somente nos casos ruins, né? Aqueles caras que ficam pedindo mais de oito mil de dízimo, os políticos, nada a ver comigo, certo? Não.


       Não sei se algum de vocês já tiveram a experiência de, em algum momento da vida quando éramos menininhos bonitinhos e CÓTETIS (contentes), ainda no primeiro (ou até segundo) grau. Após nosso “Maravilhoso” entendimento da palavra "céu" e de que tudo cá na terra vai acabar, nós um dia chegamos para nossos pais e dissemos: “Papai, por que eu preciso estudar, ter um bom emprego e ganhar dindin, se um dia a gente vai pro céu e tudo isso não vai valer de nada?”. Meu Deus! Como uma criança que mal acabou de entender o céu (ou não) pode ter um desejo tão puro assim? A lógica dela está totalmente correta, mas o coração não. Como sempre né, (aliás isso é um otimo tema para outro post) FALA SÉRIO!!! A gente só queria saber de faltar aula!! Nada de nobre ou pura na intenção da criança.


       Olha só a diferença de hoje em dia, hoje o pessoal cristão está se matando (quase que literalmente) para conseguir um concurso ou emprego. Pessoas saem dos ministérios, sacrificam todo o seu tempo de oração, comunhão, leitura da bíblia, para quê? Dedicar o seu tempo para ter mais desse excesso. Antes quando éramos crianças e não sabiamos o “poder” do dinheiro, então a gente era até que bem solto do mundo. A partir de adultos, a gente esqueceu desse pensamento simples de criança e viciamos no nosso conforto.

       Algumas pessoas falam: “Não é excesso” ou “Mas eu preciso disso pra viver” ou “Quero deixar pra meus filhos”. Vamos comparar. Jesus vivia de favor pelas casas, nunca teve grandes(nem pequenas) riquezas. Ele foi, é e sempre será bem mais bem sucedido que você, aliás provavelmente dificultaria muito se ele tivesse muitas riquezas, visto que o povo já O seguia erroneamente só pra receber pão multiplicado, imagina quantos O seguiriam pela materialidade se Ele fosse rico. “Ok, mas Jesus também é muito mainstream”. Bom a média salarial do País que você vive é de absurdos R$ xxx. Enfim, talvez, e só talvez, você já esteja bem financeiramente, mas não consegue ver isso. Talvez porque você se sinta incompleto, desconfortável, mal-sucedido. E isso é exatamente o que a música te adverte.


       Esclarecendo para os desentendidos: a Bíblia e a música em nenhum momento abominam a riqueza ou o excesso. É bom você ter seu (na verdade não é seu) dinheirinho suado e gastar com seu conforto. O problema é quando o seu sucesso depende dele. Esse link entre os dois não deve existir para nenhum cristão, visto que são coisas completamente diferentes para Deus. Aliás Jesus disse que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no céu. Você pode ver “o topo da mente se tornar a linha do chão, quando o sucesso é igualado ao excesso”. É bem perigoso. Você pode ser um cara inteligente, formado em teologia, paparicologia, e muito mais títulos. Mas assim como não adianta você ter uma fé gigantesca para ficar movendo montanhas por aí se você não tiver amor (1Cor13), se algum dia você tiver esse link entre o sucesso e o excesso, sua sabedoria vai pro ralo.


       A música segue falando um pouco mais sobre onde você coloca seu dinheiro(“Ponha seu dinheiro onde sua boca está fluindo”) de novo mostrando o que acontece quando o que eu falei anteriormente se torna verdade.


        Depois a música chega no refrão e aí vem uma visão bem legal que a gente poderia ter de tudo isso: Toda essa busca para ter mas dinheiro, como uma máquina que nos prende. Nos prende à quê? À nós mesmos. Ficamos limitados aos nossos próprios desejos, à nossa luxúria, ao “querer mais”. O autor expressa isso no refrão. Expressa que seu “sonho americano” não é esse, apesar de estar preso nessa máquina de dinheiro como todos nós estamos. A gente não precisa ter nojo do dinheiro, mas não devemos idolatrá-lo. Como é falado no refrão, devemos “ficar cansados de lutar somente por nós” e também “querer viver e morrer por coisas maiores”. Em que universo paralelo o homem fica cansado de lutar por ele mesmo? No universo em que ele aceita verdadeiramente Jesus como mais que suficiente. Então o Espírito Santo dá a possibilidade (que não havia antes de jeito nenhum) para o homem parar de lutar por ele mesmo (aliás começar a se negar) e, por meio do entendimento do evangelho, querer viver por coisas maiores do que dinheiro. E pronto. Você está livre da máquina.


        Parece até fácil, se o dinheiro não fosse uma influência tão forte. A Bíblia várias vezes adverte sobre o dinheiro e até da nome ao demônio que gosta de se aproveitar disso: Mamon. Quantas pessoas (crentes ou não) que vimos por aí, que após ficarem famosos, começarem a ganhar mais dinheiro ou virarem jogadores profissionais, simplesmente quebraram a cara, separaram do cônjuge, enfim, acharam sustentação própria em um lugar que não dá a sustentação plena que nós precisamos. Pessoalmente, eu acho que, seja descrente, seja um crente cheio de títulos espiritualóides, ter dinheiro demais é perigoso de qualquer jeito. Pois a mente humana tende a pensar, nesses casos, que realmente é alguma coisa, que o dinheiro realmente vem do seu suor, que pode sustentar a sua família com o que tem, e a conclusão inevitável é a independência de Deus. Isso porque nosso coração é enganoso e fraco. Nós subestimamos a nossa capacidade de sermos enganados por nós mesmos. Se analisarmos bem friamente, eu acho que nós estamos competindo com o Diabo pra ver quem nos enganamo-nos a nós mesmos, e normalmente ganhamos fácil do Diabo (esperando um “Ô GLÓÓÓÓRIA” dos que só leram a última parte).


         Posteriormente música fala novamente do link do excesso com sucesso, mas agora exemplificando com nomes de empresas, e como seus empregados dão a vida por esses empregos. Essa é pra parte pro pessoal que vai pra empresas privadas... hehe.


         Na continuação. Ele critica as mulheres fúteis (de novo, crentes e descrentes), que estão sempre pedindo presentes, nesse caso anéis, ou sejam jóias. A jóia em si é um coisa absurdamente cara, sem utilidade nenhuma a não ser enfeitar a mulher e dar falsa impressão de que ela é importante (eu sei fui bem extremo, não tenho nada contra as jóias, só contra as jóias caras). As mulheres que valorizam tudo isso também estão fazendo o link, e por fazer isso, desvalorizam-se. O tiozinho fala aí: “É verdade que você faria o que eu quero, se eu te desse o ‘bling’ necessário?” e segue concluindo que essas mulheres são como “marionete nos fios monetários”. Isso é resumido no versículo que coloquei no começo do post (Lc12:15).

       Eu não quero que você, leitor, leia todo esse post e escute essa música pensando no Silas Malafaia, no Pastor Metralhadora, ou qualquer um que não seja você. Meu intento em escrever esse artigo não é criticar a vida alheia, e sim fazer você ter uma reflexão sobre os links errados com o sucesso que você tem na cabeça, como todos temos. O link com o excesso é só uma das coisas que podem estragar seu modo de pensar aqui na Terra. Nós temos que achá-los, confessarmos que somos falhos, e lutar dia-a-dia contra seu domínio ou até o seu mínimo resquício na nossa mente. E assim, passo-a-passo, mas sem parar, estaremos cada vez mais perto do caráter daquele que nos salvou.

Lukas Menezes

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Hino Cristológico de Colossenses




Le me, fazendo meu comentário sobre a carta aos colossenses, quando fui “obrigado” a escrever sobre o belíssimo hino cristológico que aparece no começo da carta. E pensei, que tal publicar esse pedaço no blog Resenha de Deus?

Creio que a verdade declarada por Paulo nesse hino é de alta relevância para a atualidade, especialmente devido à moda pentecostal e neopentecostal da Igreja em seus últimos 106 anos. Igrejas modernas tendem a diminuir a importância e o poder de Cristo para deslocá-la sobre outros poderes espirituais. Muitas vezes, temos uma ênfase além da medida canônica em Satanás, demônios, guerra espiritual. A herege teoria da brecha é um exemplo disso: se você, mesmo sendo salvo e pertencente à autoridade de Jesus, pecar, então você abre uma brecha em certa área da sua vida para Satanás entrar e fazer a festa que ele quiser. Ou então a pseudo-teologia do livro “Este mundo tenebroso”: anjos e demônios vivem numa guerra em que a Trindade não faz nada, e o determinante da vitória angelical é a quantidade e a frequência das orações dos crentes. É quase como uma ciência exata controlável pelos homens.

A situação da Igreja de Colossos era bem parecida. Devido a um incipiente sincretismo entre judaísmo, gnosticismo e as religiões de mistério, os crentes de Colossos começaram a temer a influência de demônios em determinadas leis cerimoniais e a pensar que precisavam galgar níveis espirituais até chegarem ao nível dos anjos, e em tal hierarquia Jesus era apenas mais um dos poderes. E, para tanto, êxtases espirituais eram necessários, bem como a observância de rituais e práticas ascéticas. (Hispter colossenses, neopentecostalists before it was cool)

Paulo responde ressaltando a supremacia de Cristo. E, bem, quem quiser o estudo completo da carta terá de me pedir depois. Relax, ainda estou fazendo. Mas o hino cristológico eu já acabei, e é o que se segue:

“E então começa um dos mais belos hinos cristológicos da Bíblia. É uma declaração da soberania e suficiência de Cristo em todos os aspectos da criação. Ele é declarado a imagem do Deus invisível. Jesus é o humano visível e palpável no qual todo o ser do eterno Deus está revelado. O autor da carta aos hebreus diz que Jesus é a expressão exata do ser de Deus; Jesus diz a Filipe “quem vê a mim vê o Pai”. A encarnação de Deus no homem Jesus preenche a lacuna que havia entre o espiritual e o material e satisfaz a vontade humana de adorar uma imagem. É o perfeito elo entre o Deus eterno e o homem limitado, frágil e defeituoso. É o Deus imaterial tornando-se material para alcançar aqueles que, devido à sua materialidade, são incapazes de atingir o imaterial.

            Ele é chamado também de primogênito de toda a criação. Não significa que ele foi a primeira criatura de todas, como queriam os arianos, mas que ele é anterior à criação, “gerado e não criado”, como diz o credo niceno. Os anjos são criaturas de Deus, mas, ao contrário do que os colossenses pensavam, são exatamente por essa razão imensamente inferiores àquele que já era antes que tudo fosse criado. Mais uma vez, o autor da carta aos hebreus dirá que Deus diz algumas coisas boas a respeito de anjos, mas apenas a Jesus Cristo ele diz “Eu serei o seu Pai, e tu serás meu Filho”, “Tu és o meu Filho e hoje te gerei”. Primogênito também significa que Cristo tem todos os direitos da primogenitura. Sendo o Pai o dono de toda a criação, Jesus Cristo, por ser o primogênito, é herdeiro de tudo o que o Pai possui – como ele disse, “toda a autoridade me foi dada na terra e nos céus”. Essa ideia está ligada ao que se segue:

Nele, para ele e por ele foram criadas todas as coisas. Não há poder algum na terra ou no céu que seja páreo para Jesus, pois foi ele quem criou todas as autoridades. Os colossenses não precisam mais ter medo de demônios ou de anjos, pois eles são meras criaturas de Cristo, as quais não apenas foram criadas por ele, mas também para ele, isto é, para lhe pertencerem e lhe serem submissas. O único verdadeiro e real poder é o de Jesus. Ele foi colocado pelo Pai como o rei à sua direita, para que reine sobre a terra derrotando os seus inimigos até o último, que é a morte (como Paulo explicou aos coríntios). Jesus Cristo é o logos de Deus, criador do universo. Ideia essa mais explicada por João, Cristo é o logos de Deus que criou o mundo quando o Pai proferiu a viva palavra “Haja luz”. Ele é também, como diz a carta aos hebreus, aquele que sustenta todas as coisas pela sua palavra poderosa, o que tem relação com a ideia grega sobre o logos. Cristo é, portanto, a Palavra de Deus que criou – “por ele” -, sustenta em ordem e sentido – “nele” – e reina soberanamente sobre todas as coisas – “para ele”. Ou, como a frase seguinte resume: ele é antes de tudo e nele tudo subsiste. Se Deus retirasse a sua presença do universo, tudo seria um inimaginável caos.

Além de ser o Senhor do universo, Jesus é também o Senhor dos cristãos em uma relação mais íntima. Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja. Aqui, a ênfase não é tanto na metafísica da Igreja, mas sim na soberania de Cristo sobre ela. Ele é a pedra angular, o fundamento, a fonte da existência e da orientação eclesiástica. Ele é a luz que a Igreja deve refletir e o Deus que ela deve adorar e de quem deve depender para tudo. Paulo indicou aos coríntios que os anjos, de alguma forma, têm participação na Igreja, mas a carta aos hebreus os chama de “espíritos ministradores”. Anjos não são poderes para serem temidos e obedecidos pela Igreja, mas são adoradores do verdadeiro Senhor conosco. Somente Jesus Cristo é o chefe da Igreja.

Tendo o ponto de ser o cabeça da Igreja como ponte, Paulo coloca aqui a glória de Cristo em sua obra redentora. Ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos. Não que ele tenha sido o primeiro humano da história a voltar dos mortos. Temos como exemplos as crianças que Elias e Eliseu ressuscitaram, o morto que caiu nos ossos de Eliseu, e inclusive aqueles que Jesus ressuscitou, dos quais temos o registro de um filho de uma viúva em Naim e Lázaro. Mas a ressurreição da qual Paulo fala é outra. Não é apenas o voltar da morte para a vida comum, mas sim a grande ressurreição final, em corpos divinos, para a vida eterna no paraíso, profetizada por Daniel. Essa ressurreição ocorrerá a todos os santos que tiverem morrido quando o Senhor voltar, mas somente porque o próprio Cristo já a realizou em si mesmo. O Senhor foi o primogênito dentre os mortos. Ele foi o primeiro, o iniciador da ressurreição gloriosa. Mais uma vez, o fato de ele ter sido o primogênito lhe dá todo o poder e a autoridade sobre os seus irmãos mais novos que morrem e ressuscitam com ele, tanto no batismo da conversão como na realidade que virá; Cristo é o Senhor da morte e da vida. A frase que conclui essa ideia é “para que em tudo tenha a supremacia”. Jesus é o dono de toda a criação no estado presente e de toda a recriação que está por vir; da terra corrompida e da terra paradisíaca; do presente e do futuro; do tempo e da eternidade.

A supremacia de Cristo lhe foi dada por Deus Pai. Como disse Jesus, “o Pai ama o Filho e lhe entregou todas as coisas”. Deus quis que, no Filho, toda a divindade fosse revelada e exercida para reconciliar todas as coisas. O pecado do homem causou a queda não só da humanidade, mas de toda a criação, inclusive a criação angelical. O sacrifício de Cristo feito na cruz estabelece a paz entre toda a criação e o Criador. Não nos é explicado como isso ocorre aos anjos e ao universo, mas aos homens o evangelho da reconciliação é proclamado para que eles possam nascer de novo como adoradores de Deus. A obra do logos divino encarnado foi feita para transformar o caos em ordem através da união da criação ao Criador e, assim, tornar-se o soberano de tudo.” 

André Duarte

domingo, 2 de setembro de 2012

Justificação pela Fé



                Olá! Vou trazer para vocês alguns estudos sobre esse tema que eu amo muito! Esta é a primeira parte dessa coleção!

                A justificação pela fé é um assunto tão recorrente em toda a bíblia que eu fui movido pelos incessantes esforços do apostólo Paulo a escrever sobre isso. E vou tentar construir uma boa base para que se entenda a justiça que vem pela fé!

                A primeira coisa que noto está Gênesis capítulo 6, onde começamos a ver que o homem era tão mau que o próprio Criador se arrependeu de tê-lo criado, e por isso resolveu dar cabo de toda carne que havia na face da terra. E mesmo com afirmações tão veementes de que o homem era (e ainda é) completamente corrupto, surpreendentemente encontramos no versículo 9 o escrito: "Noé era homem justo".

                Num primeiro olhar, eu não entendi porque Noé era um homem justo se ele também era um homem como aqueles totalmente perversos que foram descritos nos versículos anteriores. Mas a resposta logo vem no capítulo 15, versículo 6, onde lê-se: "Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça". Nesse momento eu entendi que Abrão (que logo viria a ser chamado Abraão) foi feito justo diante de Deus pela fé que ele teve nesse mesmo Deus. Então voltei a analisar a história de Noé, e concluí que só fazia sentido Noé ser chamado de justo se acontecesse a mesma coisa que aconteceu com Abraão: Noé crer no Senhor, e isso lhe ser creditado como justiça.

                Então, achei plausível concluir que toda vez que se lê na bíblia a palavra "justo", essa palavra se refere NECESSARIAMENTE a alguém que tem fé em Deus!

Continua...

Davi Resende